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a reportagem do jpn sobre as “reparações poéticas” da cultureprint, no passado sábado, na gareporto

GAREPORTO OFERECE REPARAÇÕES POÉTICAS NO PRÓXIMO SÁBADO

Edson Athayde apresenta “Nunca o Mar” de Minês Castanheira na garagem mais emblemática da cidade do Porto.

No próximo sábado, a CulturePrint traz a festa ao coração da cidade, com a apresentação do segundo livro da colecção Bairro dos Livros, “Nunca o mar”, de Minês Castanheira. O evento acontece num dos locais mais emblemáticos da baixa, a Gareporto, espaço que era, há umas décadas atrás, o sítio de onde partiam as camionetas do Porto para Santo Tirso, Braga e Póvoa de Varzim.

A Gareporto, em plena Rua de José Falcão, foi totalmente recuperada, mantendo a traça original e mantendo também vivo o espírito de um Porto antigo, que já não existe. É, por isso, um local simbólico para retomar, esta ideia de viagem, que pode ser a viagem física e a dos livros, e por outro lado mostrar que a apresentação de um livro pode ser um evento performativo, perfeitamente integrado na dinâmica da cidade.

A ideia é usar o cenário vintage da Gareporto para convidar o público a fazer umas “reparações poéticas e outros arranjos”, diz Isabel Rocha, editora da CulturePrint, e misturar esse lugar da mecânica, que é a garagem, com o lugar da escrita, que é o trabalho poético. “Sabemos que a poesia tem, muitas vezes, uma dimensão teatral, que queremos aqui explorar”, continua, explicando a escolha de uma garagem no centro do Porto para lançar este livro de poesia: “parece-nos importante usar os espaços menos óbvios que a cidade tem e que estão esquecidos”.

A apresentação da obra estará a cargo do cronista, escritor e publicitário Edson Athayde. Ana Afonso, que assina a performance, promete fazer entrar a audiência no universo do Porto dos anos 50 e descobrir os poemas de Minês Castanheira, autora de “Nunca o Mar”.

A apresentação da terceira obra de poesia de Minês Castanheira, editada pela CulturePrint, acontece no dia 31 de Março, pelas 18h00, na Gareporto.

a.p.ribeiro no programa Alvinex, da Antena 3, sobre “café paraíso”, ed. cultureprint

reparações poéticas e outros arranjos: apresentação de “nunca o mar” na gareporto, dia 31 de março

Versos, porcas, poemas e um ou outro parafuso fora do sítio na apresentação de “Nunca o Mar”, obra de poesia de Minês Castanheira, Ed. Bairro dos Livros, CulturePrint, por Edson Athayde, na GarePorto.

A performance está a cargo de Ana Afonso.

Teaser aqui e aqui.

palavras de alexandre teixeira mendes na apresentação de “café paraíso” no olimpo sobre a poética de antónio pedro ribeiro

Activismo, Pulsão e Ebriedade

António Pedro Ribeiro (Porto, Maio de 1968) restaurou o antigo hábito dos “rapsodos” e dos “menesteres”, levando a poesia de lugar em lugar. Em suas andanças revelou-se o poeta da catarse que tem o mérito de trazer à superfície o traço do gozo perdido que só pode ser reencontrado no excesso, no gozo suplementar que se faz suporte da fantasia, receptáculo da causa do desejo. A sua escrita – performance – surge-nos imbuída de um pendor activista. Também aqui uma poesia – enquanto veículo terapêutico-existencial – (mega)político – que oscila entre o catártico e o des-construtor. Poderíamos mesmo falar de uma poética metropolitana: da “urbs”. Trata-se, pois, de uma obra “engajada” – das intro(pro)jecções – ancorada na existência livre de limites ou a paixão de uma liberdade impossível – que denuncia o “vazio” do mundo.

Dicção coloquial quotidiana

A dicção coloquial quotidiana é bastante óbvia no caso de António Pedro Ribeiro. Nos antípodas do bucolismo e da tradição lírica-discursiva – da escrita “sublime” ou transcendental – assiste-se em “Café Paraíso” (Editorial Bairro dos Livros, Culture Print, Porto, 2011) – o seu último livro – de forma directa, imediata – ao próprio eclodir de um corpo-próprio seminal (onde se exorciza a configuração amorosa e suas projecções fantasmáticas). Uma vez mais esta poemática tende ao transbordamento pulsional – na confirmação (ou refutação) emocional das possibilidades excessivas. Mas em que a denúncia da dominação do império conjunto – formado pelo poder técnico e a razão económica pura – é um ponto de partida metodológico.

Infinito da negação

Donde acaba o crítico e começa o panfletário, o extraviado ou simplesmente o instintual? O planfletarismo é em António Pedro Ribeiro inspiração: acesso ao optimismo revolucionário (frente à democracia “estabelecida”, “instalada” ou “mercantilista”). Pode dizer-se, contudo, que a sua poesia remete-nos ao “infinito da negação”. Assente num discurso do desejo (de Eros) que caracteriza a poesia de Allen Ginsberg ou de William Blake – torna-se demanda de “novatio” – um re-assumir do desencanto do mundo. Na primazia da revolta e da desobediência civil – do “différend” – evoca a “teoria crítica” (Reich-Marcuse) e, sobretudo, a “gaia ciência” de Nietzsche. Na sua poesia – desde o início – o protagonista são as três estruturas do “impossível”: política, amor e arte. “Riso soberano”: eis aqui a novidade de categoria muito significativa. É importante ressaltar ainda o privilégio da escrita automática – que nos autoriza a falar da pulsão pura – e enquanto veículo de uma “auto-biografia” ou trama “psico-biográfico”:

escrevemos sobre nós próprios
estamos sempre
a escrever sobre nós próprios
nada há a fazer
desenvolvemos este estilo
é claro que também
nos referimos aos outros
à televisão omnipresente
às riquezas
ao cacau
mas estamos sempre
a falar de nós próprios
num monólogo sem fim
é isto a vida
é isto a escrita
e é isto que sobra
de um dia de tédio (p. 77-78)

Id dionisíaco

Nesta obra perpassa – como dissemos antes – a vida escrita – os impasses do escrever. O que entendo aqui por exortação à libertação do “id” dioníaco. Não é difícil notar o seu apego à insânia – pathos da loucura – ou o privilégio do êxtasse e da ebriedade. Porque “Cerveja-matéria prima do poema” (p.34). Seria possível falar da afinidade entre o tipo de poética de António Pedro Ribeiro com a geração “beat”: a psicadelia e a contracultura. De facto, desde o início das suas “démarches”, António Pedro Ribeiro procurou ampliar e fortalecer o activismo político enfatizando a dimensão da ebriedade – contra a razão e a administração da vida – unindo-se a Rimbaud e Nietzsche. Mas é Raoul Vaneigem de “Arte de Viver para a Geração Nova” e o mercado pariense de ideias que oferece ao poeta um modelo: o da lição situacionista (de uma existência liberta do gregarismo e da massificação). Para António Pedro Ribeiro a ebriedade tem também a sua forma e a sua figura:

Bebo cervejas no inferno
Mas quero o paraíso
de volta (p.30)

Excesso e transgressão

Em “Café Paraíso” re-equaciona-se a experiência do sensível – a partir justamente dum apego visionário – que revela e permite ser – ou, se quisermos, dum corpo linguagem. Deste modo um corpo dionísiaco enquanto corpo pulsional – nos seus sintomas e somatizações – transferência e traço significante, excesso e transgressão. Nesta sua escrita concentra-se e exacerba-se, de maneira exemplar, uma poética catártica, em que, por sinal, a corporeidade, o estofo do ser, como diria Merleau Ponty, está prenhe de significado. Aqui o eterno existe no efémero, mas o contingente anseia e clama pelo absoluto:

procuro a eternidade
do instante
não me adaptei à vida burguesa
às conversas do senso comum
à vulgaridade do intelecto (p84)

Iconoclastia e irreverência

Trata-se de uma poesia que enaltece a auto-reflexão. Em que há também um estranho exercício crítico em torno da sociedade autoritária “unidimensional”. Por fim, o questionamento dum mundo dominado por critérios de eficiência e sucesso e, por conseguinte, assente na “auto-escravização” do humano. O conjunto dos poemas de António Pedro Ribeiro exibem, em seu contexto de significação original, um forte pendor ideológico – enquanto propensão crítica do capitalismo avançado e, por conseguinte, da desmontagem das falsas boas intenções burguesas. Ademais depreciativa e fustigadora do poder e dos seus símbolos – comissários e e aparelhos repressores ideológicos – vícios públicos, virtudes privadas. Insistimos: trata-se de uma escrita psico-emocional – como fragmentos de uma auto-biografia. Poderíamos dizer que neste poemário – nos passos do “politically incorrect” – perpassa a questão da hybris, desmedida do ser, da verdade da poesia como embriaguez e transgressão. Outo exemplo notável de uma poética da iconoclastia e da irreverência ou “pour cause” da “reverie” política ( tipo marxista pós-moderno – emancipalista).

Café-Bar Olimpo Porto, 21 de Dezembro de 2011

Alexandre Teixeira Mendes

“café paraíso” vai ao olimpo provar do néctar dos deuses

Sim, é verdade: o “Café Paraíso” vai ao Olimpo provar o néctar dos deuses e beber o café dos poetas! Estão todos convidados a partilhar este momento connosco, em mais uma apresentação da antologia dos poemas de café de António Pedro Ribeiro, desta feita a cargo de Alexandre Teixeira Mendes.

A apresentação conta ainda com as presenças de Luís Carvalho e Aurelino Costa.

A noite promete leituras dos poemas do “último poeta de café” pela voz de Susana Guimarães.

palavras de ângela berlinde durante a apresentação de “café paraíso”, n’”a brasileira”, em braga

Ao Ribeiro

Nunca serei fotógrafa o suficiente
para revelar a loucura e devaneio do poeta maldito
ou fazer o mais claro enquadramento das longas tardes
onde o poeta tudo roubou ao futuro do mundo.
Nunca serei gente suficiente
para o retratar.
Mas sei que há fotografias
que se não escrevem,
sendo só o tempo o seu dono
e a infinita passagem
a única e a mais justa forma
de os expressar.
Ribeiro fica nos cafés e na luz espelhada da Brasileira
na cor tão difícil que a liberdade mistura com os dias do mundo.
Há no seu coração um planeta a atravessar-lhe o coração,
como se o Poeta e o mundo pudessem ser uma narrativa
para partir de vez,
para o mais justo coração da humanidade.
Os livros de Pedro Ribeiro são o seu retrato mais grandioso,
como é o retrato de uma geração, de alguém nascido no mítico maio de 68.
Acreditemos em numerologia e aponte-se o dia de hoje, de regresso à Brasileira, como o dia em
que se lança o seu 10 º livro.
Guardaremos aí a estranheza e a feliz coincidência de hoje se celebrar o nascimento de Jim
Morrisson, uma intima inspiração do poeta aqui retratado, no desconforto das suas inquietações.
António Pedro Ribeiro não escreve apenas os livros, também os vive, chora, declama e, posso dizer
fotografa esse mundo.
Quem já não chorou com livros? Mas quem ainda não se espantou com a experiência de ter visto o
Ribeiro a declamar a sua poesia.
Quem seria Ribeiro se não fora a coragem de se ser também um dizeur, um artista performer?
Ribeiro é dos livros, mas também da voz e do grito, da música que se transforma em imagens. E só
por aí, Ribeiro já é do mundo, esse que acredita na humanidade.
Diante dos textos do Ribeiro uma insistente pergunta se impõe: como ler uma obra em que a
novidade se instaura no próprio código, na escrita em si? Escrita performática, inquietante que
clama por um novo leitor, que precisa se desprender dos moldes tradicionais de leitura e tornar-se
participante do ato de criação.
Nessa nova perspectiva de leitura, o texto não pode apenas ser visto, necessita de ser contemplado,
ouvido, tateado, percebido sinestesicamente, o que nos reporta à insistência com que o ler aparece
nos livros do Ribeiro.
O texto é directo e não se deixa interromper, não se fixa em nada, extrapola as convenções e,
diferentemente do que se verifica na obra, “não tem mancha de ruído”, ou seja, não “se fecha sobre
o significado” (Barthes, 1988: 73).
Nos livros, é sempre muito duvidoso o que se dá e o que se recebe, mas também não importa, o que
importa é que a estrada é uma caligrafia e o pensamento do Ribeiro é um planeta, uma rota, um
mapa, uma mão, uma voz, uma revolução!
Qualquer dia entenderemos o que é ter vindo ao mundo para inscrever coisas na parte ainda vaga do
universo em que o poeta almejou uma revolução.
O poeta pára nos cafés à espera de mais mundo.
A Terra do Ribeiro são os cafés que o protegem das intempéries e dos verões escaldantes. Ter uma
terra é isso: é ter um lugar de plantio e de colheita do que se não esquece, tudo mais, por mais belo
que possa ser, é uma passagem, é um desaparecimento.
Na terra do Ribeiro pode-se medir o mundo.
É nos cafés onde emerge o desejo e o espanto, lembrando as impossíveis brisas e todas as baladas.
Na poesia do Ribeiro o mundo a escorre-lhe dos olhos
Nesta terra é um poeta e pouco mais, com um caderno pronto e urgente numa mão
e na outra um coração.
Ângela, a Berlinde

Lançamento do “Café Paraíso” de António Pedro Ribeiro
Café, a Brasileira, 8 de Dezembro de 2011

as imagens da apresentação de “pedaços de alma”, de ana maria soares, na casa barbot

 

apresentação de “café paraíso”, no café “a brasileira”, em braga

As palavras são de António Pedro Ribeiro, na Brasileira de Braga, numa casa cheia, saboreando o “Café Paraíso” e partilhando poemas de café com amigos: “Faço declarações de amor a Braga e à Brasileira. Sou o poeta da Brasileira e do Piolho. (…) A cidade está viva e eu também.“. O jornalista Alexandre Praça contou histórias de tempos revolucionários e a fotógrafa Ângela Berlinde elogiou a poesia de António Pedro Ribeiro, o único poeta de café e um homem do mundo.

Apresentação de “Café Paraíso”,  de António Pedro Ribeiro, esta quinta-feira, n’ A Brasileira, em Braga.

“café paraíso” é apresentado n’ “a brasileira”, em braga, na próxima quinta-feira

“Café Paraíso”, antologia de poemas de café de António Pedro Ribeiro, publicada pela nova chancela editorial da CulturePrint, a Bairro dos Livros, é apresentado n’ A Brasileira, em Braga, pelas 21h00.

A apresentação da sessão está a cargo da fotógrafa Ângela Berlinde e do artista plástico César Taíbo, que prometem uma leitura interartes dos versos e textos poéticos do “último poeta de café“.