os moradores das virtudes criam espectáculo com o douro ao fundo

Em Junho, José António Cunha e Miguel Rosas, da LEMUR, propuseram-se a ser vizinhos dos moradores das Virtudes para fazerem nascer um espectáculo comunitário naquela zona da cidade. Em Setembro, o Passeio das Virtudes vai misturar artistas e moradores, que serão os actores, músicos e figurantes de uma performance teatral.

O projecto está inserido no Manobras no Porto e a residência dos dois artistas termina com um espectáculo de teatro, que será apresentado nos dias 5 e 6 de Outubro, criado e interpretado pelos moradores daquela zona do Porto. Até lá, estão programadas algumas apresentações ao público e, dizem os dois artistas, “das janelas das casas vê-se o rio”.

A ideia é envolver os dois elementos da LEMUR e os habitantes das Virtudes no projecto de criação de uma performance em espaço público, que parte de dentro para fora. A construção do espectáculo transforma a intimidade das casas nos bastidores deste grande palco colectivo.

Desde Junho que os directores artísticos da LEMUR estão em residência na comunidade e encontraram já uma casa no território familiar das Virtudes. Trata-se da primeira de um conjunto de iniciativas previstas para aquele lugar, inserido num projecto mais abrangente de intervenção na comunidade, promovido pela associação. “Às terças e quintas encontra-se quem sabe tocar um instrumento, aos sábados quem vai participar como actor, uma noite por semana ensaia o rancho e, aos poucos, vão-se tomando decisões e o espectáculo vai ganhando forma”, diz José António. Todo o processo de construção da performance, mas também os laços criados entre todos os envolvidos, vão sendo documentados num diário audiovisual.

É um trabalho de conhecimento recíproco”, afirma José António. Se, por um lado, a comunidade local se familiariza com os conceitos de produção de um espectáculo, por outro, os directores artísticos vão sendo envolvidos no dia-a-dia do lugar e aprendendo com as narrativas individuais. “Na casa onde nasceu o Garrett brinca todos os dias a Margarida, que não faz ideia de quem ele foi”, continua o artista da LEMUR. “Mas diverte-se na mesma”, sublinha. Um exemplo de como a iniciativa está a deixar marcas na comunidade é o trabalho desenvolvido com o Rancho do Douro Litoral, que aproveitou o balanço para recuperar uma coreografia de há trinta anos, da qual não existia nenhum registo.

O espectáculo final conta com uma apresentação de teatro de rua itinerante, que mistura artistas e moradores e faz dos habitantes daquela zona da cidade verdadeiros actores, músicos e figurantes do Passeio das Virtudes.  O mote para todo o trabalho de ensaios e performances? “Há mercearias, cafés, restaurantes, escolas, pequenas lojinhas. Há ruas que descem a pique e que custam muito a subir a quem não é de lá”, explica Miguel Rosas. Mas lá de cima, “das janelas das casas vê-se o rio”.

É com um elenco comunitário que a LEMUR e os moradores das Virtudes apresentam, dias 5 e 6 de Outubro, no Passeio das Virtudes, o espectáculo “Da minha janela vê-se o rio”. A iniciativa é aberta ao público e promete uma performance de teatro e música com o Douro ao fundo e as Virtudes dentro.

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