Dicionário editado no Brasil conta história de Vinho do Porto

Dicionário editado no Brasil conta história de Vinho do PortoObra estará à venda na Feira de “Livros ao Copo”, este sábado, na Rua de Cedofeita, promovida pela Cultureprint.

Só um vinho com memória poderia dar um dicionário como aquele que Manuel Pintão e Carlos Cabral escreveram sobre o Vinho do Porto. São mais de três mil verbetes, de A a Z e em modo síntese, e seis centenas de imagens, que nos contam a história deste vinho centenário, o modo como foi e é produzido e como ganha corpo e alma, ao longo dos anos, nas vasilhas de madeira que o Tanoeiro soube construir, assim contribuindo para a qualidade do Vinho do Porto.

Mostra o dicionário também, o Douro do Vinho do Porto é território de quintas produtoras e negociantes exportadores; de instituições e organismos que ao longo de dois séculos e meio regularam a sua produção e comércio, não fosse esta a primeira região vinícola demarcada e regulamentada no mundo.

Escritores, artistas e personalidades de diversas áreas de ação que ajudaram a construir o prestígio da marca Vinho do Porto são outra das tipologias de conteúdo do dicionário, assim como a apresentação das localidades que a Região Demarcada o Douro abarca. E o rio, as cheias e as barragens que o amansaram, os barcos rabelo e os armazéns de Vinho do Porto de Vila Nova de Gaia também lá estão.

Embora dicionário, os autores do mesmo souberam ainda colocar nele histórias que envolvem, de associações clandestinas que viviam do Vinho do Porto ou de práticas ilegais de produção, como o recurso à  baga de sabugueiro para dar-lhe cor mais intensa. O apêndice, mesmo proibido, foi usado por mais de um século.

Dicionário editado no Brasil conta história de Vinho do Porto

Outras vezes, escolheram os autores contar-nos momentos de magia, pela mão de Luís de Matos, que fez sumir uma primeira versão do cálice do Vinho do Porto e levou a aparecer um outro, desenhado pelo arquiteto Siza Vieira, numa operação de marketing que nos lembra a responsabilidade de manter viva a marca herdada.
Do Vinho do Porto “generoso” ou “alterado”; “carnudo” ou “elegante”; “chato” ou com “caráter”; “apagado” ou que pode passar por “amuos” e “choro” também fala o dicionário, mostrando-nos este vinho num ângulo de abordagem humano, apaixonado e sedutor.

Edição só no Brasil

O “Dicionário ilustrado do Vinho do Porto” está apenas editado no Brasil e foi escrito por Manuel Pintão, da casa de Vinho do Porto Poças, e pelo brasileiro Carlos Cabral.
O critico de vinhos português Rui Falcão dizia deste último ser “responsável direto pela forma como o Brasil olha hoje para o Vinho do Porto” e “um dos principais divulgadores do Vinho do Porto no mercado brasileiro ao longo das últimas três décadas”. Na crónica publicada no suplemento Fugas, do jornal Público de 04 de Maio de 2013, Rui Falcão  refere-se ainda a Carlos Cabral como “evangelista sobre a história do Vinho do Porto” e “coleccionador apaixonado com mais de quatrocentos livros dedicados exclusivamente ao tema”.

O papel ativo deste brasileiro na promoção do Vinho do Porto no seu país está, aliás, largamente documentado nas páginas do motor de pesquisas Google.

 

Valorizar o Vinho do Porto

Depois de 51 anos dedicados à Poças Júnior, Manuel Pintão aproveitou a disponibilidade que a aposentação proporciona para dar mais um contributo à valorização do Vinho do Porto e aceitou o desafio que lhe lançou Carlos Cabral para participar, em co-autoria, na elaboração do dicionário.

A vida associativa intensa – no Grémio dos Exportadores de Vinho do Porto, na Associação dos Exportadores de Vinho do Porto, na Confraria do Vinho do Porto e no Gruporto – e as viagens frequentes ao estrangeiro foram experiências importantes para a concretização do projeto editorial, comenta o próprio ao recordar a primeira vez que foi à biblioteca do Instituto do Vinho do Porto, atualmente Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, para “pesquisar se o Vinho do Porto tinha propriedades afrodisíacas e poder responder ao agente da Poças Júnior na Tailândia”.

Da realização deste dicionário do Vinho do Porto “resultou um enorme enriquecimento”, refere ainda Manuel Pintão ao recordar que em todos os locais encontrou “pessoas profissionalmente bem habilitadas e com disponibilidade para ajudar e sugerir boas soluções”, mas que teve também “surpresas bem lamentáveis”, como, por exemplo, verificar “o pouco respeito pelo passado” que algumas entidades demonstraram ao “terem destruído parte de seus arquivos”.

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